O que pensa um PhD sobre cannabis medicinal?

O que pensa um PhD sobre cannabis medicinal?

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As colunas publicadas na Cannalize não traduzem necessariamente a opinião do portal. A publicação tem o propósito de estimular o debate sobre cannabis no Brasil e no mundo e de refletir sobre diversos pontos de vista sobre o tema.​

A participação do psiquiatra Nelson Goldenstein no Cannabicast desta quinzena trouxe dicas valiosas de como lidar com a terapia canábica.

Foi ao ar na última terça-feira (12) a sequência do quadragésimo primeiro episódio do Cannabicast, o podcast quinzenal da Cannect. O programa, ancorado pelos médicos Rafael Pessoa e Camila Pupe, periodicamente convida um profissional da saúde para conversar sobre temas diversos relacionados ao mundo da cannabis medicinal.

O convidado desta edição é o psiquiatra e pesquisador Dr. Nelson Goldenstein, que passou a visão de um PhD sobre a cannabis na psiquiatria. 

O que chama atenção na conversa é a opinião contundente do profissional, que é contra o modus operandi de uma parte da comunidade médica, que espera da cannabis modelos de funcionamento padrão, baseados em “verdades incontestáveis”. 

“Me incomoda que digam que a cannabis pode regular os neurotransmissores de maneira geral. Pode ser que sim, mas não dá pra falar para o paciente que a cannabis vai regular especificamente o que está faltando em determinados transmissores… Quiçá daqui umas décadas nem estaremos pensando em neurotransmissores”, comentou.

O PhD prefere pensar na ação “multimodal” da cannabis, ou seja, que se aplica a vários componentes do organismo, simultaneamente. Para Goldenstein, isso justifica o “Efeito Comitiva”, uma maneira de dizer que quando colocados todos os canabinoides juntos, eles vão atuar em diferentes regiões do organismo.

O pesquisador começou a estudar a cannabis antes do mercado se estabelecer no Brasil, quando o único produto de cannabis existente para uso em tratamentos era o CBD (Canabidiol) isolado. 

A intenção era incorporá-lo ao que o pesquisador chama de “arsenal terapêutico”, focado em pacientes com transtornos esquizofrênicos, muito pelo fato destes transtornos serem crônicos, sendo medicados por longos períodos. 

Dicas valiosas

Ele conta que entendeu “a duras penas” como lidar com a terapêutica, muitas vezes aprendendo empiricamente. 

“Não se deve começar o tratamento num quadro de crise aguda. Houve um paciente que chegou em uma crise aguda sem querer tomar nenhuma medicação, querendo apenas o canabidiol, e eu aceitei tratar, e o paciente ainda passou mal e reclamou que não funcionava, então aprendi a duras penas.”

Para Goldenstein, o tratamento deve ser inserido aos poucos, bem ao estilo “start low, go slow”: “Alinha-se a essa observação a necessidade de começar lentamente, de acordo com o relato e a observação clinica de paciente e familiares, mas ifazer isso numa crise aguda é impossível. Quando lidamos com casos psiquiátricos, essas são dicas valiosas.”

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