Vai fazer uma cirurgia, mas usa cannabis?

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As colunas publicadas na Cannalize não traduzem necessariamente a opinião do portal. A publicação tem o propósito de estimular o debate sobre cannabis no Brasil e no mundo e de refletir sobre diversos pontos de vista sobre o tema.​

Novas diretrizes pedem que cirurgia eletiva seja adiada quando for detectado que o paciente está sob efeito de maconha

A Sociedade Americana de Anestesia Regional e Medicina da Dor divulgou as primeiras diretrizes específicas sobre o uso de cannabis em relação à cirurgia a serem seguidas pelos anestesiologistas dos Estados Unidos.

Os pacientes submetidos a procedimentos que requerem anestesia devem ser questionados quanto ao uso de maconha.

Incluindo perguntas sobre o tipo de produto usado, quantidade usada, quando foi usada pela última vez e frequência de uso, segundo as novas diretrizes.

Aumento do risco de infarto?

A recomendação no caso de um paciente admitir ter fumado maconha recentemente é que o procedimento eletivo seja adiado por no mínimo duas horas devido ao “aumento do risco de infarto agudo do miocárdio” desde a fase pré-operatória até o pós-operatório.

O documento é baseado em uma revisão da literatura e experiências de um comitê de especialistas composto por 13 membros, incluindo anestesiologistas, médicos de dor crônica e um defensor do paciente.

Eles dizem que há um alto grau de evidência nas recomendações para rastrear todos os pacientes antes da cirurgia, adiar a cirurgia eletiva em pacientes com estado mental alterado.

Além de aconselhar usuários frequentes ​​sobre os efeitos potencialmente negativos do uso de cannabis no controle da dor pós-operatória, e aconselhar pacientes grávidas sobre os riscos do uso de maconha para o feto.

Adiar por duas horas?

Já a recomendação para adiar a cirurgia por duas horas após o uso fumado de cannabis recebeu uma nota baixa de força de evidência.

“Na minha opinião, essas diretrizes parecem ser excessivamente cautelosas na melhor das hipóteses e discriminatórias na pior das hipóteses”, disse Paul Armentano, vice-diretor da NORML, à Pain News Network. “A relação entre cannabis e opioides está bem estabelecida, com quase 100 artigos na literatura mostrando que pacientes com dor geralmente reduzem ou eliminam a ingestão de opioides ao longo do tempo após o uso de cannabis”.

Armentano citou um estudo piloto recente com pacientes odontológicos que descobriu que os usuários crônicos de maconha não respondem de maneira diferente à anestesia local do que os não usuários.

Uma pesquisa apresentada na reunião anual da Sociedade Americana de Anestesiologia de 2020 sugere que os usuários de cannabis podem precisar de mais anestesia durante a cirurgia do que os não usuários.

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